quarta-feira, julho 04, 2007

Especial: Privacidade Zero!


A privacidade é uma questão cada vez mais importante na sociedade contemporânea. Não se assuste, não ou encetar aqui uma dissertação sociológica. Vou, sim, mostrar-lhe os avanços tecnológicos feitos nos últimos tempos para que a nossa privacidade seja uma realidade. Sorria, está a ser elucidado! O Blur é um spray antifotográfico, de fácil aplicação, que vai manter afastados os flashes das câmaras de vez. Útil, sobretudo, para celebridades ou mesmo para usar durante aqueles 15 segundos de fama que todos temos (diz-se) – depois de os paparazzi virem que nada podem fazer para contornar o problema vão deixá-lo descansar. O Blur foi pensado para ser espalhado sobretudo pela face para que, quando um flash acende, a luz seja reflectida, graças às nanopartículas altamente reflectivas. A zona da face não passa de um círculo prateado em que não se distinguem os traços fisionómicos. Uma ideia de Kok-Chian Leong e criado pelo grupo Troika que, aliás, participa ainda noutro projecto interessante, baseado em ADN. O Factor 40 DNA Protection é um produto, também em spray, que impede que o seu ADN se espalhe e seja usado indevidamente para outros fins – quem sabe, confirmar que é realmente pai/irmão/filho do seu familiar e que não pertence a uma qualquer família alienígena. Voltando ao produto. Segundo os autores, “o spray ajuda a manter as células no local certo, enquanto adiciona uma fina camada de ADN de outras pessoas”. A ideia é de Suw Charman. Ambos os projectos estão em exibição na exposição The Science of Spying, no Science Museum de Londres, Inglaterra, a decorrer até 2 de Setembro de 2007. Já um projecto que a HP está a desenvolver debruça-se mais no bloqueio das invasões de privacidade. Um distintivo electrónico trava as câmaras e previne as tão indesejáveis fotos à socapa. Chama-se, por enquanto, “sistema de protecção de privacidade” e vai permitir aos que não querem ser fotografados transmitir um sinal de infravermelhos às câmaras compatíveis que estiverem nas redondezas. A face de quem activar o sinal sai automaticamente desfocada. Além deste sistema, a HP está também a trabalhar numa câmara activada por um alfinete de peito, ou mesmo por um brinco de mola, que vai poder tirar uma fotografia sem que o fotografado dê por isso. Tecnologicamente falando, o equipamento tem um acelerómetro que detecta um pequeno gesto da cabeça que envia depois essa informação à câmara – a foto é tirada imediatamente. Por outro lado, os inventores japoneses Hiromi Someya e Toshiki Ishino, de Kanagawa, desenvolveram um equipamento específico e um sistema para transformar as faces de quaisquer pessoas fotografadas. O equipamento inclui um sistema óptico que joga com dois modos: um tira uma fotografia com mais píxeis, outro com menos. Depois de identificar as faces na foto, a resolução da face é, então, reduzida, até que fica desfocada e irreconhecível. Mas há o reverso da moeda, como em quase tudo na vida – não, aqui também não vai começar o sermão sacerdotal. A Nokia está a preparar uma função similar ao GPS em que os utilizadores de um telemóvel com câmara podem convidar os indiscretos fotógrafos a tirar-lhes uma foto. O “modo celebridade” envia um sinal Wi-Fi às câmaras compatíveis, quando activado. Com a promessa de uma melhoria na segurança pessoal, as invasões à privacidade vão-se sucedendo, com as câmaras de vigilância nas lojas e até nas ruas. No entanto, a tecnologia tenta salvaguardar quem não pretende ser apanhado em flagrante em acções tão vulgares como fazer compras ou levar o cão a fazer xixi. Vejamos se o futuro nos reserva um espaço para a privacidade total.



Pp: Máquina de lavar com iPod!